segunda-feira, 18 de abril de 2016

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE A QUALIDADE DE NOSSOS POLÍTICOS

Estas foram minhas impressões sobre a qualidade dos nossos políticos ao acompanhar as discussões e à votação do encaminhamento do impeachment durante a semana e ontem:

1) Eles parecem não reconhecer que batalhas políticas, em grande parte, são ganhas com palavras e boa fundamentação, e não no grito. Seus argumentos são fracos, majoritariamente ad hominem e não acrescentam nada aos debates. Onde estão os discursos eloquentes de políticos bem preparados e bem informados?

2) Eles são desprovidos de coerência lógica e honestidade intelectual. Desviam-se facilmente da matéria em pauta e incluem fatos novos, completamente alheios ao debate. Além disso, distorcem as falas dos colegas, desvirtuam afirmações dos seus pares, elevam seus posicionamentos à categoria de intocáveis e se exasperam se alguém com mais coerência os comprovam falhos. Onde estão os homens sensatos, cordatos e nobres, que sabem afirmar suas posições quando verdadeiras e calar-se quando, justa e honestamente, vencidos?

3) Eles parecem colocar seus interesses pessoais e dos partidos acima dos interesses do povo e da nação que representam. Lastimável as agendas mesquinhas que apareceram imiscuídas ao tema, tema este de gravidade ímpar - um processo de impeachment. Onde estão os grandes e nobres ideais?

4) Os tratamentos de respeito e deferência não passam de formalidade parlamentar. “Vossa excelência”, em alguns momentos, se transformou em “pronome de xingamento” e não de tratamento. “Meu nobre” formalizou-se como sinal de ironia; eventualmente, foi usado como sinal de respeito. A nobreza esperada de um homem do povo desapareceu em meio a confusão e ao desrespeito. Inconcebível que parlamentares reajam aos seus pares com empurrões e cuspidas na cara. Onde estão os valores de família, os bons costumes e a boa educação, tão salutares à boa convivência - não somente na política?

5) Eles personalizam de tal modo suas funções, chegando ao ridículo de um mandar “um beijo para o meu filho”, de outro dar “feliz aniversário, minha neta”, e um outro exacerbar-se dizendo “meu filho está aqui do meu lado e vai votar por mim”. A maioria parece ter perdido o foco e esquecido da acusação de responsabilidade, esbravejando: “por minha família, por meus filhos, por minha mulher”. Confesso que fiquei esperando alguém gritar: “por Nárnia”; seria mais nobre. Onde está o senso de responsabilidade e decoro dos nossos deputados?

6) Eles parecem estar despidos de todo senso de moral esperado de homens nobres. Não são poucos os que estão atolados em escândalos e se portam com se seus rostos não estivessem respingados de lama da corrupção que toma conta da política nacional. Acusam, agridem, gritam, esbravejam, sem qualquer humildade e vergonha. Impressionantemente, o presidente da mesa pareceu não corar-se de vergonha uma só vez, das diversas que seus atos de corrupção foram abertamente trazidos à baila. Confesso que ate agora estou tentando entender se aquela postura era um tipo de controle emocional “jedi” outorgado apenas a alguns nobres mortais, ou se era falta de filtro moral mesmo. Onde estão os homens de bem e de moral ilibada para conduzirem a política do nosso país?

Ainda mais lamentável é ter que reconhecer que as atitudes de nossos políticos apenas deram notoriedade, em rede nacional, ao males que estão presentes em cada esfera de nossa sociedade brasileira: do boteco às universidades, da feirinha do bairro às tribunas parlamentares, dos palcos aos púlpitos das igrejas. Que Deus tenha misericórdia de nosso Brasil.