quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CUIDADO COM A MALEDICÊNCIA


Sabemos que o verdadeiro crente, mesmo sendo livre de servir o pecado como escravo, enfrenta uma luta constante contra sua corrupção, que só terminará de fato por ocasião da consumação da obra da salvação, isto é, na glorificação. A Confissão de Fé de Westminster nos ensina o seguinte sobre a liberdade do crente na relação com o pecado: “Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau” (CFW, Cap. 9, IV - Do livre arbítrio).

Essa luta envolve todas as áreas da vida: ações, pensamentos, sentimentos e palavras. Palavras. Como é difícil contê-las. A Escritura nos mostra que “a língua é fogo; é mundo de iniquidade; contamina o corpo inteiro; e põe em chamas toda a carreira da existência humana” (Tiago 3.6). A língua sem freios é inimiga da piedade cristã. Tiago nos adverte que se alguém supõe ser piedoso, deixando de refrear a própria língua, enganando seu próprio coração, a sua piedade é vã (Tiago 1.26).

Dentre os grandes males da língua está a maledicência, que é o ato ou hábito de falar mal de outros; de denegrir ou difamar alguém diante de outras pessoas. Eis aqui quatro verdades sobre este pecado, razões para que tomemos o devido cuidado com a maledicência.

1) Maledicência é uma obra da carne condenada nas Escrituras. Paulo adverte em Gálatas 5.16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”. Como servos de Cristo, nós não podemos nos deixar ser levados pelos desejos da carne. A maledicência é um desejo da carne, trapos do velho homem, dos quais devemos nos despir. “ Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar” (Colossenses 3.8). “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências” (1 Pedro 2.1).

2) Maledicência quebra o nono mandamento da lei do Senhor. Aprendemos do Catecismo Maior de Westminster, na pergunta 145, que são pecados proibidos no nono mandamento: tudo quando prejudica a verdade e a boa reputação do nosso próximo; dar falso testemunho de alguém; falar a verdade inoportunamente com malícia ou com fim errôneo; maldizer, depreciar, tagarelar e fofocar contra alguém; interpretar de forma má as intenções alheias; e revelar desnecessariamente a fraqueza dos outros. Todos esses são pecados de maledicência e quebram o nome mandamento que diz: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo 20.16). Precisamos mortificá-los pelo Espírito.

3) Maledicência revela mais do nosso próprio caráter do que da pessoa de quem falamos. Quando falamos mal de alguém, ao invés de mancharmos a reputação da pessoa da qual falamos, manchamos nossa própria reputação e revelamos a falha de nosso próprio caráter. Mesmo quando o que falamos é a verdade. Nós corremos o risco de sermos conhecidos como maledicentes, fofoqueiros, conversadores e mexeriqueiros. Infelizmente, quando somos maledicentes sequer percebemos isso. O profeta Jeremias é contundente ao afirmar: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá”? (Jeremias 17.9). Carecemos da graça de Deus para abrir os nossos olhos para nossos próprios pecados.

4) Maledicência é um sinal de que não estamos agindo biblicamente. Infelizmente nossa tendência natural quando temos problema com alguém é falar desta pessoa com outro. Esta não é a maneira correta de lidarmos com aquele que errou contra nós. Em Mateus 18.15-17 Jesus nos deu os passos para tratarmos o problema: 1º) Procurar pessoalmente nosso irmão e conversar com ele. Se não der ouvidos... segundo passo. 2º) Procurar segunda vez nosso irmão, com uma ou duas testemunhas. Se ainda não der ouvidos... terceiro passo. 3º) Leve-o à igreja (à liderança) para ser tratado. Se ainda assim não der ouvidos, trate-o como incrédulo. Este é o meio bíblico de agir. Não é com maledicência.

Que o Senhor nos ajude, dando-nos a graça de refrear nossa língua do mal; que ele nos guarde de pecar contra ele e contra nossos irmãos!